quarta-feira, 10 de junho de 2009
Tentando, sempre
Eu sou brasileiro, e já desisti.
Desisto porque sinto que minhas forças e meus esforços já não são mais o suficiente, desisto porque não agüento mais juntar as migalhas na esperança de que o bolo volte a se formar. Mas não desisto porque quero e sim porque preciso. Não posso mais fazer isso comigo, não posso continuar deixando que essas coisas ruins me aconteçam. Tenho total consciência do que fiz e sempre soube das conseqüências, por isso não procuro algo em quê jogar a culpa. Estava preparado para o que viesse, claro que houveram surpresas desagradáveis, mas eu sou forte e sei no que me meti.
Mas de uma coisa eu posso me orgulhar: eu tentei. Sofro pelas conseqüências e não pelas possibilidades que poderiam ter dado certo e não aconteceram porque tive medo.
Agora é hora de voltar ao ponto em que eu estava antes, continuar seguindo em frente. Não deixar que meu pior inimigo me cause danos: eu mesmo. Nós somos nosso pior inimigo, muitas vezes sofremos e somos pisoteados porque nós permitimos. Não fazemos isso por masoquismo e sim pela insatisfação com a situação vivida no momento e pela determinação de procurar uma solução ou algum refúgio que nem sempre é encontrado. Por isso lutamos, insistimos e voltamos a tentar, sempre dando a cara a tapas e nos expondo novamente a situações que muitas vezes nos trazem sofrimento, mas sempre com a esperança de que dessa vez seja diferente. Hoje não foi, mas um dia será.
Ser ou estar?
Estou bem. Muito bem, obrigado.
Mas estar bem não é o mesmo que estar feliz. Estar feliz não é o mesmo que ser feliz.
Tenho estado muito feliz, mas não tenho sido feliz. Ser e estar são relativamente diferentes.
Ser otimista é o mesmo que estar otimista?
Ser impaciente é o mesmo que estar impaciente?
Ser correto é o mesmo que estar correto?
Ser feliz é o mesmo que estar feliz?
Cansei de estar bem, cansei de estar feliz. Quero ser feliz. Nos últimos meses tenho sido paciente e esperado, mas até quando irei esperar? Cansei de ser paciente.
Semanas atrás tudo que eu queria era estar bem, estar feliz. Mas hoje sinto que só isso não é mais o suficiente. Não quero estar, quero ser.
Tenho focado todas minhas energias e pensamentos num certo momento da minha vida que irá acontecer. Foco ali minha felicidade e o término de uma tempestade que começou junto com 2009. Mas a pergunta que não me deixa em paz:
E quando esse dia chegar e terminar? Como será? O que farei e o que me dará vontade de continuar? Agora que nada mais é como antes, agora que os sonhos não existem mais e já não sei mais o que quero. Na verdade sei o que quero, só não sei se quero continuar querendo.
O que fazer quando se tem os sonhos e objetivos destruídos? O que fazer quando se perde a crença em tudo que sempre quis? Por que coisas ruins acontecem às pessoas boas? Porque os inocentes sofrem e os culpados manipulam?
Nada como o tempo para esquecer e cicatrizar as feridas. Mas o tempo continua avançando cada vez mais veloz, enquanto minha cura anda livre e despreocupada, fazendo demoradas paradas, indo e voltando a passos de tartaruga. Até quando irá recuar? Porque não avança de uma vez?
Às vezes dá vontade de gritar “será que não se dá conta de nada? Como pode ser assim?" E nesses momentos meu “gêmeo” interno discute comigo dizendo “Como isso vai resolver? Alguma vez dependeu do seu esforço? Você já não fez tudo que estava ao seu alcance e além dele? Você já não se arriscou o suficiente e viu seu coração ser pisoteado quando esperava receber outra coisa em troca?” Então acabo sendo derrotado e vendo as ultimas esperanças indo embora.
Desistir da última esperança é a parte mais cruel da vida.
Não importa qual seja sua esperança, a de uma cura, de um emprego ou uma oportunidade na vida, de um amor que se foi volte ou a descoberta de um novo horizonte. Desistir de suas ultimas esperanças é sentir que finalmente não há mais nada a fazer, o pára-quedas reserva não funcionou e agora só há uma certeza: o chão que se aproxima rapidamente.
Diz o ditado que “a esperança é a ultima que morre”, mas muitas vezes não é uma questão dela morrer ou não e sim de matá-la ou não.
Sinto que estou vivendo de migalhas, elas tem sido a fonte da minha "felicidade". Isso não está certo, eu mereço mais. Já tive muito mais e não me contento com menos. Eu quero e mereço o bolo inteiro!